terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Sei lá

Não julgo suficiente
Nem tão pouco ausente
O que tem para me dar

Um pouco aqui
(Me faz de tudo esquecer)
Outras vezes lá
(Volto então a turbilhar)

Incerteza desejada
Mentira mais gostosa
De muito o que desejei
De tudo o que não sei se quis

Conclusões preciptadas
(Fruto da distância armada)
Reações inusitadas
(Distância brevemente reparada)

E um dia a mais
Uma cor diferente
E a constante supresa

Não sei, amigo pregresso
Se eu quis, quero
Ou mesmo terei

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Você está em tudo
No meio do que eu duvido
Misturado aos meus íntimos pertences

Na música que não ouço
Livros que não leio
Informação que não busco

Lugares que não freqüento
Caminhos que me perco
Bifurcações que escolho

Você, imagem invertida
Cheiro que não penetra
Tudo o que eu nego

Ainda somo o que você rejeita
Com o que eu renego e abandono
E encontro o que te contém...

...objeto do que sou

domingo, 25 de novembro de 2007

Diz-amor


Fundamental é o amor
Mesmo se trouxer dor
Contradição do dissabor
Como um simples perfume de uma bela flor

Com um beijo, um abraço, uma cor
Que se esvai com o tempo
Se resgata, vive intenso
No desvaneio de um momento

Mas por você eu paro e penso
Você, descaso do acaso
Você, meu amor, minha vida
Minha flor, meu acaso de dor

Mas fundamental é o amor

Autores: Ana Paula, Rafael, Marisa, Rodrigo, Ana Claudia e Olívia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Eu;Você


Palavras perdidas
Retratam as vidas
As velhas feridas

Cicatriz intermitente
Eloquência do amor
Do amar

Do estar contigo
Meu desejo mente
Aquele desejo ardente

Onde as vezes vejo
O perigo contido
Pensamento existente

De um cativante medo
De ser, estar, conter
Pertencer a você

E não estar mais
Contido em mim
Enfim...


Autores: Ana Paula e Rodrigo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Tive

Antes de todos os outros
tive um
primeiro e único

Não havia pressa
regras ou senãos

Sorriso fácil
planos simples
toda eternidade
e um pouco mais

Dia após dia
e um só começava
quando o outro
via o fim

Que houve
não coube
nem juntando
o meu e seu
não coube

Sem espaço
sem ação ou palavras
entre o alívio e o medo
sem saber querer

Carinhosamente
nos despedimos
até um dia
até qualquer dia

Passar, passou
Entretanto, outro igual
jamais tive

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Quarta - feira

É o fim do carnaval
chegou quarta-feira de cinzas
temos que guardar nossas fantasias

A ilusão acabou
mas a batucada continua
e nela levo nossas lembranças
suas intensas nuances

Te levo sempre comigo
meus melhores momentos
só não posso mais
ser sua colombina

Fingir estar tudo bem
quando falta emoção, falta vida
falta seu sorriso, seu abraço
suas mãos, sua confusão e esquisitice

Falta você
tão abundante aqui
enquanto sou
tão pouco penetrante aí

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

;

Duas taças de vinho
Quatro chopes
E uma porção de qualquer coisa
Que não seja misturada a outra
Para melhor saborear

Um sax ao fundo
De encontro a uma música
Que pouco importava
A sua própria já era suficiente

Em breve confissões
Intensas como agora
Nossas desde sempre
Das primeiras e das únicas

Que ainda agora
Freiam nossa garganta
Dão aquele nó
Enchem nossos olhos

Ao deitar
Ainda um pouco embriagada
(Culpa do vinho seco por emoções)
Escuto sua voz gravada
Tradução do que nos tornamos
Retrato do que hoje vivemos

Se eu precisasse dizer não
Talvez dissesse talvez
Talvez não
Não que eu queira dizer sim
Não que eu vá dizer talvez

Talvez até diga sim
Mas é o não que me deixa em dúvida
Duvido que queira ouvir um não
Ou talvez
Por isso eu digo
Quem sabe um dia

(Escrito por Ana Paula Barros e Rodrigo Leite)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Atempo

Relatividade em números
Turnos de momentos
Intervalos de emoção
Cada coisa tem sua hora
Cada sentimento seu cruzamento
Liberdade limitada
Enclausurada

Prisão temporária
Do que foi e será
Senzala do que é
Interrupções
Deveria ser?

Cada coisa no seu lugar
Em cada momento
Imprecisão em tempo
Da exata relatividade

Vida afixada
Publicamente condenada
Exilada no dissabor
Refúgio seguro a tempo

domingo, 7 de outubro de 2007

Perfil

(Marmendoana por Flávio Borgneth)

Fica lerda pra nao passar demais o tempo. Come devagar para morrer devagar. Fala lento porque o melhor momento é sempre. Então, se o tempo é de espera, faz disso o jardim que vira de acordo com o que você imaginar quando não tinha nada. Mas o futuro chega. É bom que você saiba que ele está no único lugar que não está olhando: precipício. Gostar é uma queda sem volta ilesa. Se queremos temos que dar, e nem sempre se pode recuperar os pedaços de carne e horas. Mas, pela maneira que você bebe vinho, sei que a coisa tá logo em instantes. Já já você é de alguém...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Saudades

Se hoje ontem fosse
passado ou primeiro
único ou diferente
igual ou simplesmente
seria um momento
não mais hoje
nem tanto o presente

Haveria outro motivo
em forma de razão
ou obrigação
você ainda você
e eu, não sei se...

A entrega seria outra
ou mesmo a ausência dela
o viver diferente
até mesmo inexistente
e o sentimento não crescente
totalidade de onipresença

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Dúvida

Eu
de todo
sempre
de toda
hora
de tudo
agora
me deixo
estar

Não mais
aqui
Sem querer

Sem mesmo
estar
saudoso
do que sou...

sábado, 22 de setembro de 2007

Insônia

Poucas horas de sono por motivos adversos: nada a fazer, vontade de acordar tarde, perda de tempo, procura por partitura. Antes o violão e agora a flauta, ontem sua presença noturna e agora ausência diária. E hoje venho escrever as 3 horas da manhã – mais uma noite pouco dormida – depois de uma nova combinação: o gosto do charuto com uísque, muito bem apresentados.
Independente do motivo, o fim é o mesmo. Inicia com lembranças do que aconteceu ou o que eu queria que acontecesse. Todas as vertentes e adjacências que provocam a reflexão. Bendita reflexão! Se eu já não conseguia dormir agora mesmo que não consigo, pois se inicia a filosofia. Um milhão de eternas perguntas sem respostas. Só que hoje eu descobri que na verdade são respondidas, mas de formas diferentes de acordo com o instante. Isso passa a ser mágico, é como escolher o que quer viver a cada segundo. Rasgar a folha quando não gosta do texto e começar outro dizendo a mesma coisa. Mudar o canal quando o programa está chato, e escolher um filme idiota só para não ficar sem ver nada. Ler vários livros ao mesmo tempo para não enjoar de nenhum, mas se perder na leitura de todos. Terminar um namoro e voltar várias vezes acreditando que poderá dar certo o que já acabou faz tempo. Dizer que não sente para se fazer de forte e morrer de amor segundos depois do adeus. É ir embora já querendo chegar. Ter prazer em ouvir jazz sem pensar no prazer em si...
Na última indagação parei. E diante desse absurdo me dei conta de mais alguns não menos importantes. Nunca fomos ao cinema, a um boteco, não fomos a show nem a praia. Nunca comemos nada juntos nem bebemos cerveja. Não conversamos por mais de 60 minutos, nem convivemos por mais de 3 dias seguidos. Nunca te vi chorar, já te vi sofrer. Fui entrelaçar meus dedos nos seus esses dias, mas nunca andamos de mãos dadas nem abraçados. Nunca andamos juntos. Não conheço ninguém do seu convívio, nem você do meu. Não fazemos coisas em comum, mas nos encontramos com frequencia. Não sei seu endereço, se mora em casa ou apartamento. Se gosta de chuva, se prefere calor. Se gosta de barulho ou silêncio. Não reconheço sua voz ao telefone, nunca fez uma canção pra mim...
Não te conheço. Como é possível? Me espanto a perceber que você é somente o que eu criei a partir do que me faz sentir. Do que sua pele, seu cheiro, temperatura, gosto, olhar, toque, presença e mais ainda a ausência provocam em mim...
Tenho medo do que você ainda não é, mais ainda do que você pode ser! E assim prefiro não arriscar. Volto a dormir...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O novo

Do silêncio
fez-se seu pulsar
um ruído
acelarado
indefinido
você...

Paralisou-me
Iluminou os olhos
Que há muito
Não conheciam emoção

Sua presença
Imperceptível
Uma esperança

Mesmo sem te ver
Meus braços
Colo
Meu pensar
Seus

Provocou em mim
O que nem tão perto
Pensei ser
Serei para você
Por você

Sua
De mais ninguém
Pelo menos
Até o próximo

Nos conhecemos
Ninguém avisou
Mas sabemos
Te encontro
No final do verão
Pode ser?

Mas te espero desde já
Te vivo desde sempre...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Enfim...

Querer uma vez
Outra mais
Hoje, ontem, depois
Para que esperar?
A espera é a certeza
Inconsciente e não consentida que temos
Eu e você

Ter um ao outro tão perto
Escuridão constante
Indefinida
É o toque
Aperto
Faz sorrir, olha e sente

Volta a sentir
Tocar e alocar
Um espaço a ti pertencente
Não por propriedade
Pura afinidade

Ardência no olhar...
Enfim a claridade?
Ver-te...
Poderemos enfim?
Sem mais conter o sentir
Ou o ir e vir
Posteriormente chegar
Enfim, poder partir

Surpreendentemente
Você fala
Escuto
Calo
Nada a dizer
Subitamente tive
Tenho
Só não soube como
Ou se era enfim o quando

Sentimento procede
Nunca pertenceu
Ao conhecimento
Explícito
Somente a madeira
Que o aflora
Ao fechar-te

Quando me olha
Imediatamente sei
Sei que importa
Distorce, torce
Vive, imagina
E não obstante prevê o fim

Coexistência do fim cíclico
Busca da compreensão
Dessa vontade mítica
Simplória e fatídica
Que faz o fim que principia retornar

Deixemos de lado
Toda a indagação
Pudor, horror
Nomes, regras, definições
Nada mais que
Tradução da vontade de ser

Sejamos distraídos
Eternamente
Nós dois
Como sempre fomos
Como sempre sendo
Enfim, eu e você.

sábado, 15 de setembro de 2007

Um brinde

ao frio na barriga
ao sorriso sem motivos
as ruas sem sentido
arrepio na espinha
vontade de não sair mais do sofá
ao verão que ficou pra mais tarde
para tudo que nunca será tarde
aos suspiros constantes
lembranças sem hora
a saudade...
Um brinde ao que as pessoas leigamente chamam de amor
e que melhor se define como emoções e sensações que fazem você não saber mais ser somente você...