terça-feira, 8 de julho de 2008

Lá fora passa o tempo

Nos tempos de dúvidas nada é mais comum do que perguntas. E elas cercam cada momento, cada pensamento, cada olhar. Chegam por toda parte, estão em todos os lugares. Misteriosamente vagam pelos espaços fazendo questão de não ter aonde chegar. E parece que a cada nova pergunta uma resposta é destruída no universo, pois é cada vez mais difícil encontrá-las. É temido o dia em que não saberemos nem dizer quem somos, do que gostamos ou o que queremos. Era temido? Pois já não se sabe mais. Ou nunca soubemos, talvez. Pelo menos não com toda certeza que tínhamos quando dizíamos que preferíamos um bolo de chocolate a uma salada de brócolis. Ou quando permanecer sujo a brincar pela rua era definitivamente mais divertido do que tomar banho e fazer a tarefa de casa da escola. Foi o tempo que apagou as respostas ou as perguntas que cresceram com o tempo?

Cresceram na extensão e intensidade. Na freqüência e convergência. Seguiu o fluxo natural do amadurecimento das perguntas, ser mais questionável a cada dia. Se aproximadamente na metade da vida já conseguimos encher nossos dias com elas, o que acontecerá com a outra metade? É sabido que inúmeras perguntas de hoje terão sido respondidas no futuro, pelo simples correr da vida. Mas creio ser impossível saber se como nós elas tem meia-vida, ou simplesmente a falta de resposta age como um inibidor da busca por questionamentos.

As repostas viram as próprias perguntas no ciclo respiratório dos pensamentos. E se perguntarem se um dia saberemos de tudo? Não sei qual é a melhor resposta. Mas quando eu descobri que uma nuvem com redemoinho no meio não era a origem de um ciclone, eu percebi que o mais gostoso das dúvidas é achar várias respostas para a mesma pergunta. Sem nenhuma pretensão, muito menos intenção de fazer as perguntas não conseguirem mais respirar...

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